Só não se perca ao entrar no meu infinito particular...

Só não se perca ao entrar no meu infinito particular...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


"Não passam as dores, também não passam as alegrias.

Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças.

Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é.

Não há nenhuma peça que não se encaixe.

Todas são aproveitáveis.

Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou".

Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro."


Martha Medeiros

A Pessoa Errada (Luis Fernando Veríssimo)

 Pensando bem Em tudo o que a gente vê, e vivencia E ouve e pensa Não existe uma pessoa certa pra gente Existe uma pessoa Que se você for parar pra pensar É, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa Faz tudo certinho Chega na hora certa, Fala as coisas certas, Faz as coisas certas, Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça Fazer loucuras Perder a hora Morrer de amor A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar Que é pra na hora que vocês se encontrarem A entrega ser muito mais verdadeira A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois, vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível. Essa pessoa talvez te magoe, e depois te enchede mimos pedindo seu perdão. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa. Nada aqui é certo. O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo. E só assim é possível chegar àquele momento do dia, em que a gente diz: "Graças àDeus deu tudo certo", quando na verdade, tudo o que ele quer é que a gente encontre a pessoa errada, para que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente... "Não temas desistir do bom para buscar o melhor."

Na mulher interessante, a beleza é secundária, irrelevante e, mesmo, indesejável.
A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. 
Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando: Ser bonita não interessa. Seja interessante. 




Nelson Rodrigues 
Porque eu tô ainda muito inseguro de mim mesmo, e não acreditando absolutamente que alguém possa me curtir bem assim como eu sou. Eu não tenho quase experiência dessas transações, me enrolo todo, faço tudo errado — acabo me sentindo confuso. Tudo isso é tão íntimo, e eu já estou tão desacostumado de me contar inteiramente a alguém, tão desacreditando na capacidade de compreensão do outro, sei lá, não é nada disso, sabe? Conviver é difícil — as pessoas são dificeis — viver é dificil - Caio F Abreu
De alguma forma eu sabia que seria amor. Eu não sei, mas acho que a gente olha e pensa: “Quero pra mim”. Mas dá um frio na barriga, um tremor, um medo de depender de alguém, de sofrer, de escolher errado, de lutar por algo que não vale a pena. Porque o coração nem sempre é mocinho. Foi por isso que corri, tentei fugir, mas quando tem que ser, não adianta, será. - Caio F Abreu

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


“A verdade é que desde sempre foi complicado entender o que eu sinto, mas eu sempre tentei descrever em palavras para que, quem sabe alguém mais ou menos desocupado do que eu, pudesse entender por mim. A vida bateu na minha cara, muitos dias seguidos, sem poesia nenhuma que era pra me deixar sem vontade alguma de abrir os olhos. Só que os olhos são meus e cabe a mim saber até onde é bom enxergar, mesmo que sejam só coisas ruins que não vão me dar o sorrisinho que eu tenho que carregar todas as manhãs. Assim como tudo na vida, amores e amigos vêm e vão e, fico aqui perguntando baixinho, quem sou eu então pra decidir que os meus não deveriam ir? Não adianta mais prometer que será pra sempre. Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Eu não quero dor. Eu não quero olhar no espelho e ver você escorrer, manchando minha maquiagem. É pelo medo de cair de novo que meus joelhos tremem. Eu quero, no mínimo uma garantia. E eu só preciso me desfocar do sonho que me deixa míope e enxergar além, ou melhor: enxergar o que está na minha cara. Antes de dormir rezei, pedi a Deus que perdoe tanta ingratidão de minha parte, por não enxergar tudo de bom que a vida me oferece, e continuar aqui me lamentando e fazendo tudo por você.”
- Tati Bernardi.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar."


caio f abreu

domingo, 4 de dezembro de 2011

‎"Eles se amam, todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. 


Simples.


 Complexo. Quase impossível Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua 


idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram 


feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de 


coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as 


manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for 


maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do


 outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, 


nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam 


rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E


 todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores 


nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontram


 e que nada, nada seja por acaso.”

- Tati Bernadi



”A gente até engana os outros de que é feliz, mas por dentro a solidão só aumenta. Estar com alguém errado é lembrar em dobro a falta que faz alguém certo.”


Tati Bernardi



quarta-feira, 30 de novembro de 2011




Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Afinal se coisas boas se vão é para que coisas melhores possam vir. Esqueça o passado, desapego é o segredo!
(Trechos de Fernando Pessoa)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

" Mas sei lá, não sei se toda essa coisa patética é mesmo necessária. Tô resolvendo umas coisas aqui viu, esses negócios de sentimentos demonstrados demais meio que estraga. Tô aqui aprendendo que nem todos dão valor ao que você pode oferecer, e acabar demonstrando afeto demais começa a encher o saco, e eu digo tudo isso da minha parte [...] vou ficar mais relax mesmo, não quer me ligar, não liga, mas também não ligarei. Não quer me ver, não me veja, mas também não sairei que nem doida atrás de você pra saber se a gente vai se ver, que horas é o nosso encontro, não mais. É apenas um aviso que eu deixo bem simples: se quiser, me procura você! "
E ficamos nessa de vai e não volta, nessa indecisão de uma certeza, na negação de uma vontade. Eu te amo e você me ama, mas o nosso amor não é o suficiente para nos unir. Precisamos de algo que ainda não temos, e talvez nunca venhamos a ter. Preciso ser minha antes de ser sua, e você precisa ser seu antes de ser meu. Mas você é da menina que mora na rua atrás da sua casa, e eu sou do cara que conheci em uma balada qualquer da vida. Somos tão diferentes, mas tão completos quando estamos um ao lado do outro. Poderíamos ser tão felizes, poderíamos ser tão amor… Mas simplesmente hoje somos apenas distantes.




cfa
E ontem, eu desisti. Desisti de tudo que eu mais queria, daquilo que eu mais desejava. O coração palpitava de vontade, mas eu resisti e desisti. E desistirei sempre for que necessário, sempre que eu estiver perto do fundo do poço. Depois do não, depois do ‘fim’, desejei que Deus me dê forças e fé, muita fé para continuar. Porque não vale à pena, não compensa. Porque tem pessoas que não valem à pena.
eu preciso muito deixar acontecer o momento da renovação, trocar de pele, mudar de cor. Tenho sentido necessidades do novo, não importa o quê, mais que seja novo, nem que sejam os problemas. Preciso deixar a casa vazia para receber a nova mobília. Fazer a faxina da mente, da alma, do corpo e do coração. Demolir as ruínas e construir qualquer coisa nova, quem sabe um castelo.




Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.


Caio Fernando Abreu

“A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto. Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento.
Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.”


(Caio Fernando Abreu) 
Mas não vou ceder. Foi a última paixão. Paixão é o que dá sentido à vida. E foi a última. Tenho certeza absoluta disso. Agora me tornarei uma pessoa daquelas que se cuidam para não se envolver. Já tenho um passado, tenho tanta história. Meu coração está ardido de meias-voltas. Sei um pouco das coisas? Acho que sim. Tive tanta taquicardia hoje. Estou por aí, agora. Penso nele, sim, penso nele. Mas não vou ceder. Certo, certo: ninguém tem obrigação de satisfazer ao teu desejo, pela simples razão de que você supõe que teu desejo seja absoluto. Foda-se seu desejo, ora. Me dói não ter podido mostrar minha face. Me dói ter passado tanto tempo atento a ele - quando ele nunca ficou atento a mim. E eu passei tanta coisa dura. Rita Lee canta" são coisas da vida"....




CAIO F ABREU

terça-feira, 22 de novembro de 2011



"O amor é. Ele simplesmente É! Não podem fazê-lo desaparecer, é a razão de estarmos aqui. É o topo da vida. E, quando você chega ao topo e olha para todos lá em baixo está preso nele para sempre, pois se tentar mover-se, você cai, você cai..."



Devo permanecer nesse mundo estupido, que sem ela não velerá mais que uma pocilga??

Não me deixe ir
Posso nunca mais voltar...



( Clarice Lispector )


Eu vejo você se apaixonado outra vez, eu fico com a saudade e você com outro alguém...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011


“Passei a vida te esperando, entende? Quando eu te escondo o jogo, quando eu te trato mal, é tudo medo, é tudo medo do amor.”
- Cazuza.

“Foi por isso que corri, tentei fugir… mas quando tem que ser, não adianta, será. E olha só, passei tanto tempo fugindo de um alguém, que hoje sofro por não ser totalmente meu. Agora me diz, por quê?”
- Caio Fernando Abreu.

“O amor é uma máquina do tempo, e todo desejo, é desejo de voltar. E encontrar no amor as pessoas de quem gostávamos (…) mas não é só isso, querer voltar ao passado é querer transformar esse passado quantas vezes forem necessárias.”
- Caio Fernando Abreu.

“Acho que não precisava ser assim. É tudo tão forte, tão profundo, tão bonito, não precisava doer como dói. Eu não podia apenas sorrir quando me lembrasse de você? Mas acontece tipo assim: lembro do seu rosto, do seu abraço, do seu cheiro, do seu olhar, do seu beijo e começo a sorrir, é assim mesmo, automático, como se tivesse uma parte do meu cérebro que me fizesse por um instante a pessoa mais feliz do mundo, mas que só você, de algum modo, fosse capaz de ativar. Eu sei, é lindo. Mas logo em seguida, quando penso em quão longe você está sinto-me despedaçar por inteira. Sabe a sensação de arrancar um doce de uma criança? Pois é, sou essa criança. E dói. Uma dor cujo único remédio é a sua presença. Então sigo assim, penso em você, sorrio, sofro e rezo, peço pra Deus cuidar da gente, amenizar essa dor e trazer logo a minha cura.”
- Caio Fernando Abreu.

“Tô esperando o dia que isso vai passar. Tô esperando acabar, passar, morrer, sangrar até o fim. Esperando o tempo que acalma chamas com seus ventos de mil pés distantes. Esperando alguém que ocupe, distraia, desacorrente, solte, substitua, torne nada demais. Esperando não sentir mais ódio e nem tesão e nem ciúme e nem saudade. Esperando porque é o que resta mesmo, não é falta de coragem, não é de se fazer, é de se sentir e só. Nem sempre a força de um amor é pra sair às ruas, pra viver histórias. (…) Mas você erra quando acha que alguém resolve um amor. O amor é que, se tivermos coragem pra deixar, resolve aos poucos a gente.”
- Tati Bernardi.
“Não foi por causa das nossas muitas brigas ou diferenças, foi porque desistimos de ser aquilo que sempre fomos, não querendo estragar o que já tínhamos sido sem erro algum. E se isso vai te fazer feliz, então seja."

“Preciso de um dia a seu lado pra que tudo se resolva enfim. Eu sei que eu posso ser o seu agrado, é só você cuidar de mim…”
- Renato Russo.

“Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva.”
- Caio Fernando Abreu.

“Eu não quero viver longe de você. Digo, viver sem falar contigo, sem saber como foi o seu dia, o que você fez, como esta se sentindo. Até porque, longe fisicamente de você eu já estou.”
- Caio Fernando Abreu.

domingo, 20 de novembro de 2011


Eu tenho medo, merda! Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi (…) Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa. (…) Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei


Dói. Se me perguntarem o que acontece, só saberei responder isso: dói. Se me perguntarem onde é a dor, ainda assim só responderei: dói. Tudo tem a ver com aquele grito reprimido, aquele sonho escondido, aquele choro nem sempre contido: dói. Aquela vontade de cortar a garganta para não poder gritar. Aquela vontade de arrancar os olhos só pra não poder ver. Aquela vontade de esmagar o coração só para não poder sentir. Mesmo com todas essas coisas incapacitadas ainda assim doeria. Porque não está na garganta, nos olhos, no coração. Está em toda parte...

Caio F abreu

Eu te amo. Mesmo negando. Mesmo deixando você ir. Mesmo não te pedindo pra ficar. Mesmo não olhando mais nos teus olhos. Mesmo não ouvindo a tua voz. Mesmo não fazendo mais parte dos teus dias. Mesmo estando longe, eu te amo. E amo mesmo. Mesmo não sabendo amar.




Caio Fernando Abreu
Ela parecia inteira. Inteira porque não tinha ficado nada dela para trás. Seus olhos eram de desilusão, de cansaço. Cansada de construir sonhos, planos, fantasias. E depois da desilusão ter de destruir uma a uma, como se nada daquilo tivesse um dia existido, só para olhar para trás e não sentir nada do que sentira antes. Era mais um fim doído, choroso, arrastado. Fosse o ponto final sua última lágrima de dor, já havia então sido decretado. Decretado num discurso mudo, num adeus em silêncio. Dito através de tudo daquilo que não havia sido falado. 


Caio Fernando Abreu

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Pensa em ligar pra ela? Sim, eu pensei em ligar pra ela uma vez.. e dizer pra ela: '' trás aquele meu cd favorito que deixei com você?'' Se essa noite ela me ligar pedindo pra voltar.. Eu volto, volto com toda fé. Eu volto pra ela, pq é com ela que planejei onde seria nossa casa, onde iriamos comer no dia de domingo, onde eu iria dormir quando a gente tivesse uma briga boba por cíumes, é com ela que vejo meu futuro, é com ela que vejo nossos filhos, nossa casa no jardim sem flores, eu volto pra você, EU VOLTO, Mas aprendi a viver sem você (...)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011


Eu nunca vou entender o que eu realmente quis esse tempo inteiro, eu dizia que te amava e isso nunca foi mentira, mas como alguém que te ama pode te deixar ir embora assim? Desculpa, foi uma coisa maior que eu, isso tava me matando, vendo você sofrer por causa de uma garota babaca que nunca te deu valor e talvez nunca dará para ninguém esse tal valor, você é muito mais do que eu mereço, e hoje eu sei que outra pessoa ocupou esse lugar que um dia foi meu, raiva nenhum eu sinto, sinto inveja de conseguires te entregar assim, e eu que não consigo nem terminar o que começo? Hoje mesmo me peguei vendo nossas fotos e nossas cartas, isso devia ser proibido, é tortura! Eu nunca vou encontrar outra pessoa melhor isso eu não tenho dúvidas! Mas realmente se eu pudesse ser diferente eu seria, mas se eu não mudei por você saberei mudar por outra? O que me resta é te ver feliz e seguir esse caminho que eu escolhi, mas se tem alguma coisa que eu aprendi é nunca deixar alguém gostar de você se não tais pronta para o amor, desculpa ter sido um engano, desculpa esse meu desabafo, desculpa nunca ter te falado isso olhando nos olhos, desculpa por ter existido.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011


“Nunca fui como todos. Nunca tive muitos amigos. Nunca fui favorita. Nunca fui o que meus pais queriam. Nunca tive alguém que me amasse. Mas tive somente a mim. A minha absoluta verdade. Meu verdadeiro pensamento. O meu conforto nas horas de sofrimento, não vivo sozinha porque gosto e sim porque aprendi a ser só.”
- Florbela Espanca.

“Depois que eu me apaixonei de verdade, e não deu muito certo, então eu não consigo mais… Eu fico esperando, putz, eu quero sentir aquilo de novo, mas aí, se começa, se o coração bate mais rápido: “Ah, eu não sei se quero isso, não”. Eu acreditei durante muito tempo em amor romântico. Hoje em dia, eu não acredito em amor romântico, não. Eu acredito em respeito e amizade. De repente, sexo e tudo. Ou, então, expressão física. Mas é assim: respeito e amizade. Porque paixão, essa coisa de amor romântico mesmo, acho que traz muito sofrimento e sempre acaba. Você sofre, você fica pensando na pessoa, você não funciona direito. Ao mesmo tempo em que você descobre muitas coisas boas em você — não sei, pelo menos comigo acontece isso —, eu descubro sempre as invejas, certos ciúmes, uma certa possessividade, no meu caso, muito machista. E isso incomoda. Eu sou ciumento, possessivo, italianão. Eu acho que o amor verdadeiro não passa por isso, não.”
- Renato Russo.

“Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos.”
- Caio Fernando Abreu.

“Estou morrendo de vontade de ser eu, mas ser eu só tem me feito perder e perder. E eu quero ganhar. Só dessa vez. Chega. Mas eu quero me dar de bandeja pra você. Mas não. Depois eu demoro semanas pra me levantar porque fui intensa e vivi um dia. Não agüento mais nada disso. Por isso, dessa vez, eu não vou gostar de você. Tchau. Chega de fazer tudo errado. A minha vontade é te ligar, pra contar o quanto gosto de você. E te pedir em namoro. E me declarar. Falar palavras lindas, frases perfeitas, poéticas, sensíveis. Mas não! Eu sou uma mocinha. E mocinhas só se declaram depois de um mês de namoro. Ou depois que o garoto fala que gosta delas. Dessa vez vai ser assim. Chega. E se você não desistir mesmo com todo esse teatro que eu estou fazendo. Vai ser a prova de que eu precisava pra saber que você realmente vale a pena.”
- Tati Bernardi.

domingo, 2 de outubro de 2011




A verdade é que quando você volta, eu mando você ir embora de novo. E quando você vai embora, eu quero que você volte mais uma vez. É que quando você volta, eu me lembro que as coisas nunca vão ser do jeito que eu queria, e aí eu tenho certeza que se for assim eu fico melhor sozinha. E quando você vai embora de novo, eu me lembro que eu prefiro te ter pelo menos por perto do que não te ter de qualquer jeito.
Caio Fernando Abreu



Imagem do filme "Viola di mare"

domingo, 25 de setembro de 2011

“Ficar bem nem sempre deixa outras opções. É estranho quando as coisas simplesmente têm de terminar. É o estágio onde todos os sentimentos já evoluíram para um nada. É o nada que você optou para parar de sentir dor. No início você briga, chora, faz drama mexicano. Então percebe que é cansativo demais manter esse jeito de levar as coisas. Acostuma-se… Não que pare de doer, mas que cai no seu entendimento que às vezes perdemos algo e não há solução. No fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser. ”

Caio Fernando Abreu.


sábado, 27 de agosto de 2011

É tolo chafurdar em pântanos de depressão com pouco mais de 20 anos, você não acha?
Caio F.

” As pessoas suportam tudo, as pessoas às vezes procuram exatamente o que será capaz de doer ainda mais fundo, o verso justo, a música perfeita, o filme exato, punhaladas revirando um talho quase fechado, cada palavra, cada acorde, cada cena, até a dor esgotar-se autofágica, consumida em si mesma, transformada em outra coisa que não saberia dizer qual era. ”
                                 Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 29 de julho de 2011


“Alguém me ensina a pensar menos nele? Alguém me ensina a não repetir centenas de vezes a mesma cena na cabeça? E não fazer dessas lembranças o meu maior martírio? Porque dói, dói muito pensar que há pouco tempo eu estive inteira com ele e o deixei partir, assim, sem insistir, sem nem um “fica mais um pouco?”. É possível não sentir esses arrepios ao lembrar-me do toque, do cheiro, do beijo dele? Ah, eu daria tanta coisa para que aquele anjo estivesse aqui comigo agora, hoje, amanhã, sempre. Eu daria tudo pra vê-lo sorrir mais uma vez pra mim, mas quando estou com ele fico tão pequena, entrego-lhe o que ainda me resta, ele vai embora e eu fico aqui, me sentindo incompleta, me sentindo um nada, sobrevivendo apenas de migalhas da minha memória.”
- Caio Fernando Abreu.

“Amor não tem garantia mas tem devolução. Pode começar do nada, pode acabar de repente, pode não ter fim. Mas tem sempre o meio. O amor é isso que você está vendo: Hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.”
- Caio Fernando Abreu.

“Ando um pouco para dentro, não sei se você entende. Me fechei um pouco, de tudo. Me abri para mim, me fechei para o resto. Ainda não sei se é certo ou no que vai dar, mas garanto que estou me descobrindo um pouco.”
- Caio Fernando Abreu.

“Tão difícil deixar fluir. Mas é o que precisa ser feito agora. Virar barquinho, mesmo. Relaxar e observar o caminho, a paisagem. E assim vamos fluindo… Correnteza leve, por favor. Que não estamos assim muito prontos pra grandes tormentas. Tá tudo bem na verdade. É só uma questão de se encontrar. Porque as vezes eu me perco e fico me procurando, e não me acho. Mas quem sabe assim, deixando que a água vá me levando, não dá certo, né? Deus dará…”
- Caio Fernando Abreu.
“O pior é que depois de todas as encenações, todos os choros, os apelos calados, os desejos feitos na tentativa de obter algum êxito… você cansa. Acostuma-se. Ele vai e resolve aparecer, assim do nada, com palavras que ele sabe que de algum modo mexe com os meus sentimentos.”
- Caio Fernando Abreu.

“Quando eu acreditei que seria sincero, acabei me deparando com o que costumo chamar de “decepção” ou “tapa na cara”. Sabe aquela escorregada que você precisa dar pra aprender a levantar? Então, é disso que estou falando.”
- Caio Fernando Abreu.

“Eu preciso muito deixar acontecer o momento da renovação, trocar de pele, mudar de cor. Tenho sentido necessidades do novo, não importa o quê, mais que seja novo, nem que sejam os problemas. Preciso deixar a casa vazia para receber a nova mobília. Fazer a faxina da mente, da alma, do corpo e do coração. Demolir as ruínas e construir qualquer coisa nova, quem sabe um castelo.”
- Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 1 de julho de 2011


“Amor não tem garantia mas tem devolução. Pode começar do nada, pode acabar de repente, pode não ter fim. Mas tem sempre o meio. O amor é isso que você está vendo: Hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.”
- Caio Fernando Abreu.

“Acho que não precisava ser assim. É tudo tão forte, tão profundo, tão bonito, não precisava doer como dói. Eu não podia apenas sorrir quando me lembrasse de você? Mas acontece tipo assim: lembro do seu rosto, do seu abraço, do seu cheiro, do seu olhar, do seu beijo e começo a sorrir, é assim mesmo, automático, como se tivesse uma parte do meu cérebro que me fizesse por um instante a pessoa mais feliz do mundo, mas que só você, de algum modo, fosse capaz de ativar. Eu sei, é lindo. Mas logo em seguida, quando penso em quão longe você está sinto-me despedaçar por inteira. Sabe a sensação de arrancar um doce de uma criança? Pois é, sou essa criança. E dói. Uma dor cujo único remédio é a sua presença. Então sigo assim, penso em você, sorrio, sofro e rezo, peço pra Deus cuidar da gente, amenizar essa dor e trazer logo a minha cura.”
- Caio Fernando Abreu.

sábado, 28 de maio de 2011


“Me escondo dessas tuas histórias que me enredam cada vez mais no que não és tu, mas o que foste. Tento fugir para longe e a cada noite, como uma criança temendo pecados, punições de anjos vingadores com espadas flamejantes, prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo, e escapo brusco para que percebas que mal suporto a tua presença, veneno, veneno, às vezes digo coisas ácidas e de alguma forma quero te fazer compreender que não é assim, que tenho um medo cada vez maior do que vou sentindo em todos esses meses, e não se soluciona, mas volto e volto sempre, então me invades outra vez com o mesmo jogo e embora supondo conhecer as regras, me deixo tomar por inteiro por tuas estranhas liturgias, a compactuar com teus medos que não decifro, a aceitá-los como um cão faminto aceita um osso descarnado, essas migalhas que me vais jogando entre as palavras e os pratos vazios, torno sempre a voltar, talvez penalizado do teu olho que não se debruça sobre nenhum outro assim como sobre o meu. Tornarei sempre a voltar porque preciso desse osso, dos farelos que me têm alimentado ao longo deste tempo…” 
- Caio Fernando Abreu.

“Teria mesmo chegado ao ponto de dizer nutro? Teria, teria sim, teria dito nutro e relacionamento e rompimento e afeto, teria dito também estima e consideração e mais alto apreço e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer para colorir a indiferença quando o coração ficou inteiramente gelado.”
- Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

“Em alguns momentos, eu a decepcionarei, em outros você me frustrará, mas, se tivermos coragem para reconhecer nossos erros, habilidade para sonharmos juntos e capacidade para chorarmos e recomeçarmos tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias, então nosso amor será imortal.” 

- Augusto Cury

“Porra, eu me afastei de tudo, de todos, joguei tudo pro alto e só quero esse amor, nada mais me interessa, se esse amor me faltar (pode?) eu só tenho isso, é o único laço que me prende à vida - e se faltar, Deus, se faltar o que faço? Noites paranóicas, medo Ritchie. E… se dançar? Aí dançou. Foi dançando. Não sei bem como. Uma tarde peguei nas suas mãos e, bem cruel (punhais: como a gente sabe apunhalar com engenho e arte, crava devagarinho a lâmina, depois revira, dentro da ferida), pedi assim: olha bem dentro dos meus olhos e me responde à seguinte pergunta: “Você não me ama mais?”.”
- Caio Fernando Abreu.

”- Como assim eu mudei? Quando?
- Quando deixou de ser aquilo que era. Até mesmo quando deixou de fazer questão de todas essas coisas que hoje eu resolvi dar importância. E só dei importância porque quis que você soubesse o quanto eu a amo, o quanto sempre a amei. Antes eu nunca tivesse dito absolutamente nada do que eu disse. De repente, não estaria doendo como dói agora. Mas mesmo querendo muito a sensação de me arrepender de ter dito tudo o que eu disse, prefiro mesmo que você saiba. Um dia talvez você entenda o quanto a sua distração me dói, o quanto esse seu silêncio me rasga. O quanto machuca ver que se estragamos o que poderíamos ser, não foi por causa das nossas muitas brigas ou diferenças, foi porque desistimos de ser aquilo que sempre fomos não querendo estragar o que já tinhamos sido sem erro algum. Bel, eu não sei ficar distraído ao seu lado. E se isso vai te fazer feliz então seja. Mas não vai ser comigo.”
- Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 4 de abril de 2011


Matéria frágil é o amor, amor. Por exemplo: uma bomba nuclear e ele já era. Por isso todo casal deveria antes, durante e depois de tudo ser amigo. Só a amizade e a as baratas sobreviverão ao fim do mundo do amor.

(...)

Lembrei dos Paralamas: “Cuide bem do seu amor”. Ao contrário dos filmes e do desejo popular, se tiver de ser será, etc, o amor é o eterno pique até a porta do elevador fechando. Quer dizer, torça para que tenha alguém dentro, que te ouça gritar “segura, por favor!”, e, fundamentalmente, corra na direção dele(a).”


Michel Melamed





“Vou ser feliz, sem me importar com o que isso irá causar aos outros… o importante é que não estou fazendo mal a ninguém, pelo contrário! Estou apenas enterrando as impurezas e toxinas da minha vida e deixando brotar uma bela e frutífera árvore”

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 24 de março de 2011

=(

Ela não entende quando eu digo que gosto dela, que ela é tudo que eu sempre quis, que apareceu no momento certo, me salvou de uma imensa torre que eu mesma criei como refugio disso que chamamos de amor, eu quero fazer ela acreditar, mas parece que é inútil, parece que não tenho força para mostrar isso, e cada vez mais, ela vai fugindo de mim e desistindo de subir nessa torre besta, eu queria que ela continuasse, mas como dizer isso a ela, quando nem ouvir ela me ouve? Parece que tudo que eu falo é inútil, a moça que não é burra nem nada, está ignorando algo que está bem na frente dela, a vontade que eu tenho é de sacudi-la e dizer -Você quer fugir comigo?. Sim eu fugiria com você, só com você e isso não é o suficiente? Ela disse que estou perdendo ela, e eu não quero perder ela, ela é diferente de tudo que já me aconteceu e sem ela eu penso que não conseguirei sair dessa torre, não desista de mim, eu não vou quero e nem vou desistir de você.
Rolava e rolava na cama pensando "Meus Deus, será mesmo que tem gente que nasceu pra ser sozinho?" E cada vez tinha mais certeza, tem gente que nasce sem alma gêmea mesmo.

De Vita para Violet II

Eu quero você a cada segundo e cada hora do dia, ainda estou a ser lenta e inexoravelmente ligada a outra pessoa... Às vezes, sou inundada por uma agonia do desejo físico para você... Um desejo por sua proximidade e do seu toque. Em outras vezes eu sinto que eu deveria estar muito contente se eu pudesse ouvir o som de sua voz. Eu tento é tão difícil imaginar seus lábios nos meus. Nunca houve um tal lamentável imaginar .... Darling seja lá o que pode custar-nos, chinday tiri [mãe Vita] não serão cruzadas com você. Suponho que esse engajamento ridículo irá definir sua mente em repouso... Nada e ninguém no mundo poderiam matar o amor que tenho por você. Eu entreguei minha individualidade toda, a essência do meu ser para você. Eu lhe dei meu corpo tempo após o tempo a tratar como você o prazer, a lágrima em pedaços, como se tivesse sido a sua vontade. Todos os painéis da minha imaginação eu pus a nu para você. Não há um recesso no meu cérebro em que você não tenha penetrado.Fui fiel a você, acariciei você e dormi com você, e gostaria de proclamar ao mundo inteiro todo meu afeto a você.... Você é minha amante e eu sou seu amante, e reinos e impérios e os governos vacilaram e sucumbiram perante agora essa combinação poderosa - a mais poderosa do mundo.

De Vita para Violet

.Meus dias são consumidos por esta impotente ânsia de você, e minhas noites são crivadas de sonhos insuportáveis...Eu quero você. Quero você avidamente, freneticamente, apaixonadamente. Estou faminta de você, se é que você deve saber disso. Não somente do seu físico, mas de seu companheirismo, sua simpatia, os inúmeros pontos de vista que compartilhamos. Não posso existir sem você, você é minha afinidade, o “pendent” intelectual para mim, minha alma gêmea. Não posso impedir isso! Nem você!...
Mitya, nós devemos. Deus sabe que já esperamos bastante! Algo vai partir em meu cérebro se esperarmos mais tempo e eu direi a todos que sei que vamos fugir e o porquê. Você acha que eu vou desperdiçar mais tempo da minha preciosa juventude esperando que você reúna coragem suficiente para se libertar? Não eu!...
Quero você pra mim, quero partir com você. Devo e irei e dane-se o mundo e danem-se as conseqüências e qualquer um que tenha escolha melhor para si que ouse se tornar obstáculo em meu caminho

Carta de Virginia Woolf para Vita Sackville



52,tAVISTOCK sQUARE
19 DE NOVEMBRO DE 1926

É quase um milagre-a tua discrição-,uma carta dentro de outra. Dar-te-ei uma resposta assim qu e te vir_no que diz respeito ao convite-, entenda-se. Sibyl fez-me tantas dores de cabeça, Deus meu!E como é aborrecido eu não ser capaz de queixar-me senão a ti. Estou pregada numa poltrona. Mas não é nada grave:se to digo, é apenas para que te compadeças de mim, para invocar tua proteção, para te implorar que inventes um meio qualquer de impedir as pessoas de debicar na mina vida:Sir Arthue, Dadie um logo a seguir o outro. Por que será que eu tenho sempre de infligir-te isto a ti?. Trata-se sem dúvida, de uma necessidade de ordem psicológica: uma dessas coisas ditadas pelo instinto, no decorrer de uma relação íntima. Esta dor que eu tenho nas costas tira-me toda a minha coragem; se estivestes no meu lugar, sei que serias heróica. Mas também não sinto o menor desejo de passar o resto de minha existência em Rodmell com Mrs. Bartholomew (a mulher a dias), ao pé de mim.
É uma mulher mundana, essa Sibyl Colefax, de uma espécie que me é, por assim dizer, desconhecida. Os nossos valores são diferentes. A amizade, sem falar de intimidade, são impossíveis. Apesar disso, eu respeito-a, admiro-a, até. Não deixei um só instante de perguntar amim própria por que é que ela teria vindo: parecia-me tão pouco à vontade, embora mantendo-se totalmente indiferente, indício revelador de que nunca lhe dizem a verdade. Tudo tocou de passagem, sofismando, minimizando as coisas, constantemente transigindo; e, no entanto, no fundo, ela é boa e generosa. É curioso que alguém como eu, tão dotado para a intimidade, acabe por ficar completamente desconcertado.
O que tu não queres compreender, mulazinha de West que tu és, é que um dia te cansaras de mim (afinal, sou muitíssimo mais velha do que tu) e que, desde já, me é necessário tomar algumas pequenas precauções; é efetivamente por isso que prefiro, a partir de agora, principiar a estabelecer as minhas recordações, em vez de viver apenas o momento presente. Mas a mina mulazinha de West certamente sabe que, mais do que ninguém, fez ruir as minhas defesas. Não há, dentro de ti, algo indefinido? Não sei, qualquer coisa em ti, uma vibração que não se produz? Pode ser que seja um ato de vontade, porque tú nunca te abandonas; sempre o constatei quando estás comigo; qualquer coisa de secreto, de som abafado, Deus sabe o que tal poderá ser. E, no entanto, pensa nesse 19 de novembro e compara ao do ano passado: tens de admitir que há uma diferença. Isso vê-se também no escreves, seja dito de passagem. Aquilo que eu chamo atransparencia central falta, por vezes, em ti. Farei um sermão sobre este assunto em Long Barn ... O meu problema é que, minha anatomia, há uns tantos centímetros, mesmo no cimo, que são particularmente e terrivelmente sensíveis. Querida mulazinha de West, virás à Hogarth, as 14h 30m, realmente? ... Como será doce: estender-me-ei no sofá, e far-me-ei amimar por ti. A dor já quase me passou. A Irene foi mais carinhosa do que eu? Deixa-me dizer-te algo algo espantoso. Dei comigo a pensar na morte com uma curiosidade intensa. E, todavia, se há uma coisa de que eu tenha a certeza, é de que somos mortais. Mas, então, por que ter esta impressão de que a morte será algo de... apaixonante, de positivo, de ativo?

Tua V.W.
P.S.
Chegaram as tuas flores;elas são como tú, adoráveis, crepusculares, torturadas, apaixonadas. Acabei de tomar o pequeno almoço, e sinto-me muito melhor; depois reli a minha carta, e tive vergonha de tanto egoismo: quase que sinto vontade de rasgá-la, mas já não tenho tempo de escrever outra. E o sermão que te prego nõa é gentil. Mas, também, eis ao que se arriscam aqueles que vêm atacar esta pobre Virgínia, e Grizzle. Mordem imediatamente.


Poema dedicado À Vita Sackville

SAUDADE

Viver sem ti é impossível
Insuportável a separação
Tamanha é a dor que me acomete
Agora só resta a recordação

Sentada fico a esperar
Ansiosa à te buscar
Corra de volta para a minha vida
Kero-te mais que uma amiga
Volta para os meus braços
Irradiante em tua poesia
Linda mulher que embriaga
Louca donzela que desafia
Enternecida me amarra em seus laços.

Montanha Russa




Montanha-Russa é você ter certeza de que a paixão é o único sentimento que justifica a existência do ser humano e, depois na primeira decepção, não ter a menor dúvida de que tudo não passa de baboseira literária para enganar os trouxas. Vou andar de Montanha-Russa e correr o risco de comprimir minha coluna vertebral a troco de quê? Sofro e me divirto aqui no chão mesmo.


Martha Medeiros

Caixinha de música


"Uma vitória louca, uma vitória doente. Não era amor. Aquilo era solidão e loucura, podridão e morte. Não era um caso de amor. Amor não tem nada a ver com isso. Ela era uma parasita. Ela o matou porque era uma parasita. Porque não conseguia viver sozinha. Ela o sugou como um vampiro, até a ultima gota, para que pudesse exibir ao mundo aquelas flores roxas e amarelas. Aquelas flores imundas. Aquelas flores nojentas. Amor não mata. Não destrói, não é assim. Aquilo era outra coisa. Aquilo é ódio."

Caio. F

domingo, 13 de março de 2011

“Eu sou mais forte do que eu” (assim como escreveu Clarice Lispector) e apesar do meu corpo fraquejar, minha alma não desiste da esperança, porque ela sabe que a felicidade não é algo que se busca, mas que está presente nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia. E por isto mesmo eu sigo sorrindo, mesmo que às vezes eu chore. E eu choro. Mas estou sorrindo agora.
Sim, eu sou estranha, mas querem saber? Eu gosto muito de mim!”

- Ana Jácomo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Caio para Elis Regina



"Maninha, precisava ser agora?
Eis, quando eu soube, assim de imediato, não acreditei. Esse vício de eternidade que a gente tem. E logo você, bicho? Tão agitadinha, tão atrevidinha e cheia de vida. Fui ao banheiro lavar o rosto, molhar os pulsos e olhar bem a minha cara cansada de 33 anos. Quando saí e espiei em volta tudo continuava lá. Feito nada tivesse acontecido Lembrei duma história da mitologia grega. Contam que quando morreu Pan, o deus da música, alguns pescadores ouviram uma voz misteriosa gritar numa praia deserta: ‘O grande deus Pan morreu!” E nunca mais se ouviu falar dele. Hélice – como te chamava a Rita, acho que por causa daquela sua mania antiga de girar os braços enquanto cantava, em tempos de Arrastão – eu não sei o que estou sentindo. Depois do trabalho, saí a procurar pelas ruas do centro da cidade um sinal qualquer que confirmasse ou desmentisse tua partida. Não encontrei nada. As lojas não tocavam seus discos. Ninguém caminhava devagar. Não havia nenhuma melancolia específica no céu, além do cinza habitual. Só eu assobiava baixinho “Acender as velas já é profissão, quando não tem samba, tem desilusão”. (Vezenquando, só de sacanagem, você dizia ‘Quando não sou eu, é Nara Leão’, e dava aquela risada gostosa.) Então peguei um táxi e vim embora. Pedi para o motorista ligar o rádio, mas tocava Núbia Lafaiete. Você acharia engraçado. Pedi para ele parar antes de casa, comprei duas garrafas de vinho. Estou no meio da segunda. Pimentinha, que difícil que tá. Você tem que amar quem você ama agora, JÁ, você tem que começar a fazer tudo o que você quer porque a bruxa tá do lado esperando. Elis, eu também vou morrer nem sei quando. Antes eu queria tanto ser feliz. Embora nem saiba como é isso. Acendo uma vela branca procê ir embora numa boa. Abro as janelas e ponho bem alto você cantando ‘Primeiro Jornal’, porque é assim que quero te guardar, juntando tua voz matinal aos restos dos sons noturnos que ainda boiam na casa. Não tenho medo da morte. Tenho medo da vida. Baixinha, foi tão de repente... Mas ainda ontem, todo domingo de manhã eu ia ao cinema Castelo assistir você cantando no programa do Maurício Sobrinho, da Rádio Gaúcha. Você vinha com aqueles vestidos repolhudos cantar ‘Banho de lua’ e aquelas versões tipo Fred Jorge (Vixe, como tô ficando veio, guria!). No fim todo mundo aplaudia de pé, dançava e cantava junto. Depois, feito a Janis Joplin fez com Port Arthur, você saiu de Porto Alegre. Foi ser estrela na vida. Falavam mal, então como falavam: porque isso, porque aquilo, porque você chiava como carioca, que era metida que nem parecia ter saído dali do Partenon, que parecia que tinha Deus na barriga (descobri depois que você tinha mesmo, não na barriga, mas na voz). Nunca mais te vi ao vivo, só no finzinho do ano passado, no Anhembi. De repente você disse que queria falar com Deus. Eu me arrepiei. Parecido com quando você cantava ‘Atrás da porta’. Ou quando, naquele inverno comprido eu atravessava noites bebendo conhaque ouvindo ‘As aparências enganam’. Uma vez a Paula Dip bateu na porta enquanto você cantava e, mal abri, ela caiu no choro, porque tinha vindo contar-me coisas sobre esses enganos, essas aparências. Maninha, precisava ser agora? Em pleno verão, o sol quase em Aquário. Sei que teu coração não aguentava mais tanta barra. Sacanagem... E juro que agora eu ouvi você rindo assim: quá-quá-rá-quá-quá. Tô sentindo um oco, Hélice. Tão ruim. O dia não conseguiu chover: eu queria agora chorar todo o choro que o dia não chorou por ti. Não consigo. Eu tenho a impressão de que poderia reconstituir, dias após dia, desde uma daquelas manhãs de domingo no Cine Castelo (que coisa mágica, eu tinha 12 anos, você 15) até estas duas da madrugada de hoje? Consigo não, Che. A gente, que é gaúcho, se entende. O tempo existe, Pimentinha, e passa, leva no arrastão as coisas e as pessoas que não morrem: ficam encantadas. Y solo resta el silencio, un ondulado silencio... Nós te amávamos tanto, tanto. Guria. Até."
Caio Fernando Abreu