Só não se perca ao entrar no meu infinito particular...

Só não se perca ao entrar no meu infinito particular...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Meninos e Meninas


Agora uma música sobre quando todos nós tinhamos 12 anos de idade, eu ainda tenho 12 anos de idade...

(Renato Russo)



[...]

Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui

Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e de São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas

Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer

Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?

Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?

Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes

Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar

Acho que gosto de São Paulo
E gosto de São João
Gosto de São Francisco e de São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Os Barcos

Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou pra você

São só palavras texto, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto,um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos

E há muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor,se há,tentava,já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor,se este é só orgulho
Eu faço da mentira,liberdade
E de qualquer quintal,faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade e você com outro alguém

E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver
Só terminou pra você
Só terminou pra você

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

C.L

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Por que será...


Por que será que ninguém me explica o que até agora não entendi?

Por que será que sou estrangeira onde nasci?

Por que será que o mundo tem nome feminino se é machista?

Por que será que o mundo é redondo se o bicho humano quase sempre é quadrado?

Por que será que chamam o planeta de "Terra" se ele é mais água?

Por que será que a Terra é azul e seus donos - os homens - não acreditam no céu?

Por que será que também não acreditam em Deus se os milagres continuam a ocorrer?

Por que será que, quando acreditam, vivem como se não acreditassem?

Por que será que no Natal falam em Papai Noel e não em Jesus?

Por que será que aqui me sinto como um pássaro de asas cortadas?

Ora como pardalzinha no meio de peixes,
ora como cisnezinha no meio de patos,
ora como andorinha no meio de feras,
ora como urubuzinha no meio do lixo,
ora como corujinha no meio de toupeiras...?

Por que será que não se pode andar nu?

Por que será que não cheiramos como as flores?

Por que será que o mal - tão velho e nada original - ainda existe?

Por que será que tantas pessoas não acreditam no Amor se têm fome dele?

Por que será que a maioria delas é materialista se a matéria é passageira?

Por que será que se gasta milhões com armas e nem um tostão com solidariedade?

Por que será que o homem vai à Lua, mas não conhece o seu vizinho?

Por que será que ele busca ETs e não olha para quem está ao seu lado?

Por que será que se espanta com a imensidão do universo e não nota o universo muito maior que é um semelhante seu?

Por que será que a humanidade continua esquizofrênica e seus membros ainda consideram não-humanos qualquer um de raça, cor, sexo, classe social, país, religião... diferente da sua própria?

Por que será que tanta gente vive como se a morte não existisse?

Por que será que o morrer assusta uns e não a outros?

Por que será que tantos homens e mulheres, ditos de grande inteligência, não a usam para descobrir que isto, simplesmente, não basta?

Por que será?

Por que será?

Por que será?

E por que será que nada disso me agrada e vivo querendo tudo que dizem ser absurdo?

E por que será que todas essas coisas parecem sem fim, e, mesmo assim, vivo procurando o fim delas?

Será que é porque sou louca?
Mas...
se for isso...
então me digam:
o que fazer para livrar nosso mundo da doença dos "normais", hein?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Palpite

To com saudade de você
Debaixo do meu cobertor
De te arrancar suspiros
Fazer amor.
To com saudade de você
Na varanda em noite quente
E do arrepio frio que dá na gente
Truque do desejo,
Guardo na boca o gosto do beijo

Eu sinto a falta de você
Me sinto só

E aí, será que você volta,
Tudo à minha volta
É triste.
E aí, o amor pode acontecer,
De novo pra você,
Palpite.

To com saudade de você,
Do nosso banho de chuva,
Do calor na minha pele
Da língua tua.
To com saudade de você
Censurando o meu vestido,
As juras de amor ao pé do ouvido,
Truque do desejo,
Guardo na boca o gosto do beijo.

Eu sinto a falta de você,
Me sinto só

E aí, será que você volta,
Tudo à minha volta,
É triste.
E aí, o amor pode acontecer,
De novo pra você,
Palpite.

Eu sinto a falta de você,
Me sinto só

E aí, será que você volta,
Tudo à minha volta,
É triste.
E aí, o amor pode acontecer,
De novo pra você,
Palpite.

E aí, será que você volta,
Tudo à minha volta,
É triste.
E aí, o amor pode acontecer,
De novo pra você,
Palpite

domingo, 28 de outubro de 2007

QUANDO CHORAR

Há um tipo de choro bom e há outro ruim. O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio. Só esgotam e exaurem. Uma amiga perguntou-me, então, se não seria esse choro como o de uma criança com a angústia da fome. Era. Quando se está perto desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar. É melhor tentar fazer-se de forte, e enfrentar. É difícil, mas ainda menos do que ir-se tornando exangue a ponto de empalidecer.

Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.

Homem chorar comove. Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil. Respeito muito o homem que chora. Eu já vi homem chorar.





Clarice Lispector.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Renato Russo



É incrível como meu corpo reage quando escuto “angra dos reis”, parece que eu saio do ar, entro em sintonia com o infinito.
Saio à procura do meu ser...
Mais ao mesmo tempo bate uma saudade incontrolável no peito, da vontade de chorar.

“vai ver que não é nada disso
Vai ver já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi”

Dói demais... amar dói, a solidão dói.
Por quê será que quando a gente achava que achou a pessoa certa ela se vai?
Um verdadeiro amor não sai fácil assim do coração.
Minha alma viaja com as notas de angra, sai por ai vagando lentamente a procura de um canto qualquer.
Minhas lagrimas navegam sob o meu rosto suado
Estou com febre, meu corpo queima sente a falta do seu.
Minha boca lateja, perdeu o gosto doce dos seus lábios carnudos.
Seu cheiro esta ao redor, ainda sinto sua respiração no meu pescoço
É sinal que o amor não morreu

Deixa pr’a lá...
Isso tudo é besteira, é loucura... e logo passa!

“quando as estrelas começarem a cair
Me diz, me diz pra onde a gente vai fugir?”

Obrigado renato russo, por parir esse filho.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Clarice Lispector

A PAIXÃO SEGUNDO G.H. - Clarice Lispector



Estou procurando, estou procurando.Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro.

Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida por que não saberei onde engastar meu novo modo de ser - se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.

Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mais que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que eu nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Ma s a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem querer precisar me procurar.

Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia - a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la -, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? Estarei mais livre?

Não. Sei que ainda não estou sentindo livremente, que de novo penso porque tenho por objetivo achar - e que por segurança chamarei de achar o momento em que encontrar um meio de saída. Por que não tenho coragem de apenas achar um meio de entrada? Oh, sei que entrei, sim. Mas assustei-me porque não sei para onde dá essa entrada. E nunca antes eu me havia deixado levar, a menos que soubesse para o quê.

Ontem no entanto perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? E no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? Como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra - como se antes eu tivesse o que eu pensava e sim outra - como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

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"Ele é só um cara...

É só um cara.Não o ‘denso lago de mistérios gozosos onde você mergulhou e ainda não submergiu’.Nem o ‘sustentáculo de todos os ossos de seu corpo’, tampouco ‘o mármore onde está gravada a suprema razão de sua existência’.É só um cara.

E quer mesmo saber?É um cara como todos os outros caras.

Esse que te perguntou as horas no meio da rua – podia ter sido ele e você nem ligou.O mendigo, o ginecologista, o padre, o dealer.Ele estava ali o tempo todo.E ele não estava.Ele é só um deles.Vários.Uma legião.E ninguém.

É só um cara.E não a sua vida.E não todos os dias da sua história.E não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário.Ele não é o destino.É um cara.Existem muitos destinos.

Ele é só um cara que mal sabe escolher os próprios perfumes.Não sabe sangrar.Não sabe que nome daria a um filho.Não pode ficar mais tempo. Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou. E perdeu.

Ele é só um cara.E você já esqueceu outro caras antes."

Ele não é só um cara, esse sim, esse esquenta as suas mãos e escuta os seus impropérios e gracinhas com o mesmo apego.

Faz perguntas, faz suas unhas, faz comida, te leva o mundo numa bandeja quando você acorda. Ele não te deixou apodrecendo ali onde você não pudesse incomodar, não não: ele chegou meia hora antes e trouxe flores cor de laranja. Depois ainda te levou para algum lugar cheio de estrelas e pernilongos. E te avisou que quando seus olhos borraram do rímel.

Ele é diferente de tudo o que é errado em seu mundo e em outros mundos. Não te poupou, porque sabe que você é esperta. Você diria que ele salvou sua vida se não soasse tão dramático. E se isso não fosse mentira – a sua vida velha não merecia ser salva e ele te trouxe uma vida nova que inventou só pra você.

Ele te faz sofrer muito, porque sofrer é importante. Ele não faz planos ou promessas, só surpresas. Te ensinou a gostar de surpresas, a esperar, ele te deixa esperando, não deixa nada muito claro, você voltou a roer unhas, você nunca sabe, mas a verdade é que ele está sempre ali, ou logo adiante.

Ele é diferente. Ele não é só um cara. Ele te ouve como se te entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e não diz nada muitas vezes, porque ele entende os silêncios. Ele mente pra não te chatear e não te deixa descobrir. Ele existe. Você sabe que seriam bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas você prefere ser a ´
garota dele. E que serão importantes na história um do outro para sempre, independentemente de tudo que estiver pra acontecer.

Porque ele não é só um cara. Você não quer mais só um cara. E ele é tudo que você quer hoje.











esse texto diz por mim!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Só pra não deixar fora do ar!

"PRECISA-SE"



Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilarecerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.



Grande Clarice!!!!!

sábado, 1 de setembro de 2007

Marcianos invadem a terra!


Diga adeus e atravesse a rua Voamos alto depois das duas Mas as cervejas acabaram e os cigarros também Cuidado com a coisa coisando por aí A coisa coisa sempre e também coisa por aqui Seqüestra o seu resgate, envenena a sua atenção É verbo e substantivo/adjetivo e palavrão E o carinha do rádio não quer calar a boca E quer o meu dinheiro e as minhas opiniões Ora, se você quiser se divertir Invente suas próprias canções Será que existe vida em Marte? Janelas de hotéis Garagens vazias Fronteiras Granadas Lençóis E existem muitos formatos Que só têm verniz e não tem invenção E tudo aquilo contra o que sempre lutam É exatamente tudo aquilo o que eles são Marcianos invadem a Terra Estão inflando o meu ego com ar E quando acho que estou quase chegando Tenho que dobrar mais uma esquina E mesmo se eu tiver a minha liberdade Não tenho tanto tempo assim E mesmo se eu tiver a minha liberdade: Será que existe vida em Marte?






Ah eu gosto dessa música, me faz pensar e combina com meu pensamento... o.O
a loka!


Iniciar o blog!

bah, nunca tive um blog, como sou uma pessoa noiada sem nada pra fazer num sábado de manhã, pensei ''vou fazer um blog''

aqui estou eu fazendo...