Só não se perca ao entrar no meu infinito particular...

Só não se perca ao entrar no meu infinito particular...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Por que não eu?


Quando ela cai no sofá
So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei..

Quando ela insiste em beijar
Seu travesseiro
Eu me viro do avesso
Eu vou dizer aquelas coisas
Mas na hora esqueço...

Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?...

Eu encomendo um jantar
Só prá nós dois
Se não tem nada prá depois
Por que não eu?...

Você tá nessa, rejeitada
Caçando paixão
Eu com a cara mais lavada
Digo:
Por que não?...

Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?...

terça-feira, 22 de abril de 2008

Mentir e pensar


O pior de mentir é que cria falsa verdade. (Não, não é tão óbvio como parece, não é truísmo; sei que estou dizendo uma coisa e que apenas não sei dizê-la do modo certo, aliás, o que me irrita é que tudo tem de ser "do modo certo", imposição muito limitadora.) O que é mesmo que eu estava tentando pensar? Talvez isso: se a mentira fosse apenas a negação da verdade, então este seria um dos modos (negativos) de dizer a verdade. Mas a mentira pior é a mentira "criadora". (Não há dúvida: pensar me irrita, pois antes de começar a pensar eu sabia muito bem o que eu sabia.)

quinta-feira, 17 de abril de 2008




Quando estou só demais, uso guisos ao redor dos tornozelos e dos pulsos. Então quase cada um de meus pensamentos se externam e voltam para mim como respostas. Minha mais tênue energia faz com que eles logo vibrem estremecendo em luz e som. Eu tenho que ser minha amiga, senão não agüento a solidão. Quando estou sozinha procuro não pensar porque tenho medo de de repente pensar uma coisa nova demais para mim mesma. Falar alto sozi­nha e para "o quê" é dirigir-se ao mundo, é criar uma voz potente que consegue — consegue o quê? A res­posta: consegue o "o quê". "O quê" é o sagrado sacro do universo.

sábado, 12 de abril de 2008

Bipolar

Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum:é uma lucidez vazia, como explicar?assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio.E nem entendo aquilo que entendo:pois estou infinitamente maior que eu mesma,e não me alcanço.- A Lucidez Perigosa - Clarice Lispector

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Clarice Lispector

A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe. Aquilo que provavelmente perdi e que finalmente tive, veio no entanto me deixar carente como uma criança que anda sozinha pela terra. Tão carente que só o amor de todo o universo por mim poderia me consolar e me cumular, só um tal amor que a própria célula-ovo das coisas vibrasse com o que estou chamando de um amor. Daquilo a que na verdade apenas chamo mas sem saber-lhe o nome.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ÉÉÉ

Quem transforma as mulheres em galinhas... são os PRÓPRIOS HOMENS!
Tudo bem... Queremos meninas legais, sexy, taradas, bonitas, inteligentes e boazinhas...
Muito fácil falar, pois quando aparece uma assim, de bandeja, a primeira coisa que a gente pensa é: OBA ME DEI BEM!.
Ficamos com elas uma vez, duas. Começamos a pensar que essa é a mulher que as nossas mães gostariam de ter como noras.
Se sair um namoro, vai ser uma relação estável.
Você vai buscá-la na faculdade, vocês vão ao cinema, num barzinho, vai ter sexo toda a semana..! .
Tudo básico, até virar uma rotina sem graça...
Você vai olhar os caras bem vestidos e bem humorados indo pra noite arrasar com a mulherada e vai morrer
de inveja, vai sentir falta de dar aquelas cantadas infalíveis na noite, falta de dar umas olhadas pra
uma gata, ou de dar aquela dançadinha mais provocativa na pista...
Você pensa: - Acho que não estou pronto pra isso, pra me enclausurar pro resto da vida nesse namoro.
E a boa menina se transforma numa MALA, e aos poucos vai surgindo um nojo dela, uma aversão. Quando você
vê o nome dela no celular, não dá vontade de atender... JÁ ERA.
Daí aquela promessa de vida estável vai por água abaixo, se menina não se dá conta, a gente começa a ser
grosso, muito grosso. E a pobre menina pensa: - O que eu fiz ??
COITADA, ela não fez nada, a culpa é nossa mesmo...
Aí, a gente volta pra nossa vidinha, que a gente odiava até semanas atrás. A gente não vê a hora de sair
e arrasar na noite... Grande ilusão. Você chega em casa depois da balada, sozinho e fica tentando descobrir
porque você não está satisfeito. De repente foi porque a menina da night, a linda, gostosa, misteriosa, ficou
contigo, passou a mão, algo mais, mas nem sequer pediu o número do teu telefone.
FRUSTRAÇÃO!!!
Daí, por mais que você não queira, você pensa na sua menina boazinha que você deixou pra trás...
Enquanto isso, a boa menina, chateada, lesada, custa a entender o que ela fez pra ter te afastado dela...
(..)Daí essa dúvida vira angústia, que vira raiva. Daí a menina manda tudo a p$?#..que pariu... Não quer mais
saber de nada, só de sair beijando
muito cara. Resolve não se envolver mais, pra não sair lesada, chutada ou chateada...
Muito bem, acabamos de criar uma monstra... O tempo passa e a gente continua na mesma... Volta a reclamar
da vida e das mulheres. Elas só querem as coisas com homens cachorros e não estão nem aí pra nós... Elas
são assim por culpa nossa.
A mulher vulcão da night de hoje, era a boa menina de outro homem ontem... e assim sucessivamente...
Provavelmente, essa nossa ex-boa menina, deve estar enlouquecendo a cabeça de outro homem por aí...
E eu a perdi para sempre, ela virou uma mulher enlouquecedora e a encontrei na balada (mais linda do que nunca)
e ela?! Ela nem olhou para mim.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Citado no show da Ana Carolina

Te olho nos olhos e você reclama
Que te olho muito profundamente.
Desculpa,
Tudo que vivi foi muito profundamente.
Eu te ensinei quem sou
E você foi me tirando
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim, como se houvesse possibilidade
De me inventar de novo...
Desculpa.
Desculpa se te olho profundamente, rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais nos seus traços.
A ponto de ver a estrada onde ficam seus passos.
Eu não vou separar minhas vitórias
Dos meus fracassos.
Eu não vou renunciar a mim;
Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente.


sexta-feira, 4 de abril de 2008

Saudades




Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades…

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser…

Sinto saudades do presente,

que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro…

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser…

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências…

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que…
não sei onde…
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi…

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês…
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados…
para contar dinheiro… fazer amor…
declarar sentimentos fortes…
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
“I miss you”
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades…
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência…