Só não se perca ao entrar no meu infinito particular...

Só não se perca ao entrar no meu infinito particular...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012


Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais. Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes, ler mais. Sair mais. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinha, quero ter momentos de paz. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Quero ser feliz, quero sossego. Quero me olhar mais. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais. Não quero esperar mais. Quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero ousar mais. Experimentar mais. Quero menos ”mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.


 Fernando Pessoa.

domingo, 25 de novembro de 2012




Fiquei sozinha um domingo inteiro. Não telefonei para ninguém e ninguém me telefonou. Estava totalmente só. Fiquei sentada num sofá com o pensamento livre. Mas no decorrer desse dia até a hora de dormir tive umas três vezes um súbito reconhecimento de mim mesma e do mundo que me assombrou e me fez mergulhar em profundezas obscuras de onde saí para uma luz de ouro. Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo. — Clarice Lispector.



Foi então que eu resolvi, já que não poderia ser a mais gostosa por uma questão de nascimento, nem a mais inteligente por uma questão de preguiça, ser a mais estranha e a mais engraçada. Hoje eu sou assim, estranha e engraçada. Falo besteira o dia todo, faço todo mundo rir, imito os outros, uso roupas estranhas, tenho estranhas constatações a respeito da vida. Faço caretas ridículas, posso deixar de ser fina num segundo se falar escatologias ou falar putarias para divertir uma mesa qualquer de amigos. Mas de verdade eu só queria que alguém falasse para mim: ei, você é bonita, para de se expor tanto, pode ficar quietinha, pode fechar o decote, pode parar com esse riso nervoso, tô reparando em você, você é bonita.


 Tati Bernardi



Não sei até quando você vai ficar na minha vida. Acho que algumas pessoas cruzam nosso caminho para nos mostrar o quanto somos fortes. E eu sou, eu fui, eu vou ser (ah, eu vou!). Lembro do gosto de cada lágrima que chorei, assim como lembro da dor de cabeça de cada ressaca que tive por ter bebido demais pra tirar você do pensamento. Não sei porque a gente tenta beber para esquecer. Beber na fossa implica ficar longe do telefone, segurar os dedos para não enviar nenhuma mensagem de texto, segurar os pés para não sair correndo e fazer alguma besteira que sempre traz um arrependimento azedo.
A gente tinha quase tudo pra ser feliz. Eu tinha um ideal entre os dedos, um romantismo que até hoje não me deixou, um punhado de esperança que desse certo e a certeza de que queria você. Você tinha uma ideia a meu respeito, uma inocência que até hoje não te deixou, umas atitudes sem cabimento e a certeza de que me queria enquanto eu fizesse o que você achava certo.
Acho que a maioria das relações não dão certo porque temos a péssima mania de idealizar o outro. Mas ninguém é príncipe ou princesa, ninguém está aqui atuando em um filme bobo de amor. O dia a dia não tem tanto encanto nem mágica nem sonho nem beijos cinematográficos. O dia a dia é realidade, é defeito, é incerteza. E eu queria fazer tudo para agradar você, tudo, tudo, tudo. Eu fiz tanto que até esqueci de mim…




 Clarissa Corrêa

Quero seguir livre, entende? mesmo que isso me faça falta, alguém pra me prender um pouquinho.
Vou me esquivar de todo sentimento bom que eu venha a sentir, não levar nada a sério mesmo. Ficar perto, abraçar de vez em quando, sentir saudade, gostar um pouquinho. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim. Prefiro assim. — Caio Fernando Abreu
Ah, essas noites vazias de sábado… Nenhuma mensagem. Nenhum e-mail novo. Nenhuma chamada perdida. Nenhuma visita. Nenhum cheiro novo. Nenhuma antiga voz. Essas noites vazias… Ah, essas noites! Quantas e quantas noites vazias passamos… O fato de ser vazia nos dá espaço o suficiente para pensarmos sobre uma vida que poderíamos ter. E não temos. Sobre amigos que poderíamos ter conservado. E não conservamos. Pessoas que poderíamos ter do nosso lado essa noite. E não temos. Medo do novo, medo do que é velho, medo do que nunca existiu. Ah, essas noites vazias de sábado esperando o que eu nem conheço… — Ana Lins.

sábado, 24 de novembro de 2012



Eu tenho a sensação que estou destruindo um coração a cada segundo, eu não sei o porquê eu apenas sinto isso. Acho que nasci pra me sentir culpada, sei que não sou aquilo que todos querem que eu seja e muito menos que eu quero ser. Mas tem aquela frase “Já que sou, o jeito é ser.” merda de frase, merda, merda. Só preciso de um pouco de paz, de carinho, mas eu sou tão confusa que nem eu isso eu deixo ter. Porque Deus? Porque me fizeste assim? Pra magoar as pessoas ou pra me magoar? Mas eu agradeço por uma pequena coisa:
Obrigada por fazer pessoas idiotas demais, se não elas não me amariam. — Sinto coisas que me fazem pensar que sou um lixo, mas também sinto como se fosse um sonho para alguém.